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Odontogeriatria

Envelhecer com dignidade

O acesso cada vez mais fácil aos implantes e a conscientização de hábitos de higiene oral adequados, faz com que o idoso possa manter seus dentes e um belo sorriso por toda a vida. No entanto, com o passar dos anos aparecem situações específicas que modificam os cuidados com a cavidade bucal.

Diferentes problemas podem ocorrer com o envelhecimento e são influenciados pelo estado de saúde geral da pessoa, pela dieta, estresse, tabagismo.

Problemas comuns:

- Xerostomia ("boca seca") - a diminuição da quantidade de saliva, pode aparecer como efeito colateral de certos medicamentos.

A saliva é muito importante para manter os tecidos bucais saudáveis e o esmalte dos dentes protegidos. O fluxo salivar diminuído favorece o aparecimento de cárie e facilita a desadaptação de próteses, doenças periodontais, lesões da mucosa bucal, candidíase, leucoplasia etc.

Pessoas que passaram pela radioterapia na região de cabeça e pescoço têm uma diminuição do fluxo salivar ainda maior. Nessa situação é muito importante a participação do dentista antes e após dos tratamentos oncológicos, para prevenir e tratar rapidamente qualquer problema.

- Retração gengival - muito comum em pessoas com mais idade.

Ela causa sensibilidade ao frio e calor porque parte do dente que não está protegido pelo esmalte. Essa sensibilidade deve ser avaliada e tradada pelo dentista, pois esse desconforto pode levar a uma má higiene pelo receio de sentir dor ao escovar os dentes.

- Estomatite - O idoso também pode desenvolver estomatite a partir de uma prótese muito antiga ou mal adaptada e candidíase oral por má higiene da prótese.

- Periodontite - A doença mais temida e a principal causa de perda dentária na população idosa é a periodontite (inflamação dos tecidos que suportam os dentes). Este processo é reversível se detectado em seus estágios iniciais.

Não podemos nos referir a toda pessoa com mais de 60 anos como "idoso" no conceito simples da palavra. Para entender melhor essa fase da vida temos que considerar o grau de envelhecimento de cada pessoa.

De maneira bem simples podemos dizer que existem três tipos ou de idosos:

  • Independentes: conseguem viver por si só, ou seja, sem auxílio de outras pessoas
  • Parcialmente dependentes: muitas vezes ou quase sempre precisam do auxílio de um acompanhante
  • Totalmente dependentes: não têm iniciativa própria, seja por deficiência física, seja por problemas psíquicos e, por isso necessitam de um cuidador para auxiliá-los em sua rotina diária

Idosos independentes

Os idosos independentes devem observar os cuidados de higiene recomendados a todas as faixas etárias, porem com mais cuidado. Nesta fase o mais comum é que a pessoa já tenha próteses. Toda prótese requer um cuidado a mais e por ser mais difícil de higienizar, exige maior controle e manutenção. Próteses com acumulo de placa bacteriana são focos de vários problemas inclusive sistêmicos. Podem provocar a endocardite (inflamação de um tecido do coração) ou a pneumonia por aspiração dos microrganismos, que podem levar o idoso à morte.

Se ele usar uma prótese removível é importante que não durma com ela para proporcionar um "descanso" dos tecidos de suporte. Mesmo os idosos que já não têm dentes devem fazer a limpeza das mucosas e gengivas utilizando um enxaguante com digluconato de clorexidina a 0,12% sem álcool, aplicada numa gaze.

Algumas doenças como artrite, artrose e gota, provocam alterações nas articulações, o que torna os movimentos dolorosos e limitados. Nestes casos, para facilitar a escovação pode-se fazer adaptações no cabo da escova ou usar o modelo elétrico.

Idosos parcialmente ou totalmente dependentes

Com o avançar da idade os cuidados e orientações específicas quanto à sua higiene bucal devem ser intensificados, principalmente se o idoso já não tem a mesma coordenação motora ou se algumas vezes se mostra deprimido e relaxado no cuidado pessoal.

O cuidador e o responsável pelo idoso devem receber orientação do dentista sobre como manter a higiene bucal e como observar alterações nos dentes e mucosas. Fica claro que com o envelhecimento as consultas odontológicas preventivas devem ser mais constantes e serão cada vez mais importantes para manter a saúde como um todo.

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